Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma série de compromissos firmados pelos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) para atingir um patamar de desenvolvimento mínimo até 2030. São 17 ODS ao todo.

No caso do Escotismo, o seu foco principal de atuação está em consonância com o ODS 4 (Educação de Qualidade), mais especificamente com a meta 4.7., que trata da educação para o desenvolvimento sustentável: e visa, “até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e não-violência, cidadania global, e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável”.

O Escotismo tem, basicamente, dois tipos de ação alinhados com a educação para o desenvolvimento sustentável: ações pontuais, caracterizadas por atividades de grande impacto na comunidade e que buscam sensibilizar as pessoas para as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, e ações contínuas, que fazem parte do sistema de progressão pessoal delineado no Programa Educativo do Movimento Escoteiro e que buscam desenvolver competências de sustentabilidade nas crianças, adolescentes e jovens que praticam o Escotismo, que, para simplificar, denominaremos genericamente de “escoteiros” (no Brasil, o Escotismo é oferecido para crianças, adolescentes e jovens de todos os gêneros, que tenham de 6,5 a 21 anos, os quais são divididos por ramos, de acordo com a faixa etária: 6,5 a 10 anos – ramo Lobinho, 11 a 14 anos – ramo Escoteiro, 15 a 17 anos – ramo Sênior, e 18 a 21 anos – ramo Pioneiro).

Como exemplos de ações pontuais, tem o Projeto Educação Escoteira e os Mutirões de Ação Ecológica e de Ação Comunitária. O Projeto Educação Escoteira é desenvolvido em maio de cada ano, em centenas de escolas do Brasil, e busca levar o tema dos ODS para o interior das escolas, por meio de jogos e atividades lúdicas, em linha com a meta 4.7.

O Mutirão de Ação Ecológica, por sua vez, é realizado em junho, próximo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e mobiliza os escoteiros de todo o País na realização de atividades relacionadas com o meio ambiente, contribuindo com os ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis), 13 (Ação contra Mudança Global do Clima), 14 (Vida na Água) e 15 (Vida Terrestre).

Este ano, o Mutirão de Ação Comunitária foi realizado no dia 16 de setembro, junto com o Dia Mundial de Limpeza de Praias e Rios, mobilizando os escoteiros de todo o País sobre a necessidade de redução do consumo de plásticos descartáveis, os quais também conscientizarão a população acerca do problema ambiental causado pelo consumo excessivo desse tipo de plástico. Essa atividade fez parte da campanha da ONU Meio Ambiente “Mares Limpos – O Mar não está para plásticos” e contribuiu com os ODS 12 e 14 e será repetida anualmente no terceiro sábado de setembro.

Como exemplos de ações contínuas, temos o Distintivo Mensageiros da Paz e as Insígnias Mundial do Meio Ambiente e Mares Limpos. Para a obtenção do distintivo do Mensageiros da Paz, o escoteiro deve criar e participar de projetos que desenvolvam algum dos 17 ODS. Para a obtenção da Insígnia Mundial do Meio Ambiente, os escoteiros precisam desenvolver e participar de projetos relacionados com as questões ambientais, contribuindo com os ODS 6 (Água Potável e Saneamento), 7 (Energia Limpa e Acessível), 11, 12, 13, 14 e 15 (já especificados acima).

A Insígnia Mares Limpos, por outro lado, é um desafio proposto aos escoteiros e visa incentivá-los a reduzir o consumo de plásticos descartáveis, em sintonia com os ODS 12 e 14. Além disso, o Escotismo, por meio do seu Programa Educativo, valoriza a igualdade de gênero (ODS 5) e a diversidade cultural (ODS 10), promove uma cultura de paz e não-violência (ODS 16), buscando fazer do escoteiro um cidadão global, numa sociedade cada vez mais globalizada e, ao mesmo tempo, heterogênea, contribuindo para que ele seja um agente de transformação em prol da construção de um mundo melhor e mais justo.

Texto: Rubem Perlingeiro, voluntário do Escotismo há mais de 30 anos e, atualmente, está como Diretor Presidente da Região Escoteira do Rio de Janeiro e Socio-conselheiro do Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados.

Publicado originalmente em https://www.revistayouap.com/